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30/10/2011 - 21:38

Diretor sul-coreano chega ao auge de sua forma

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As virtudes de um cineasta como o sul-coreano Hong Sangsoo demoram a ser reconhecidas. Ele não faz o tipo que ostenta as marcas de um estilo como se fossem trofeus, ele não tenta impressionar com virtuosismos visuais, como tantos colegas de profissão.

Diretor de filmes como “Mulher na Praia” e “Noite e Dia”, Sangsoo faz um tipo de cinema fundado na palavra, com longas conversas de personagens intelectualizados, em especial sobre relações amorosos, e com especial atenção a pequenos acasos do cotidiano.

Por causa dessas características, ele costuma ser definido como um Woody Allen ou um Eric Rohmer sul-coreano – que faz sentido. Mas, com oito longas no currículo, suas discretas virtudes já ficaram suficientemente evidentes para que as comparações se tornem desnecessárias.

“O Dia em que Ele Chegar”, seu novo filme, exibido na Mostra de São Paulo deste ano, mostra um autor com pleno domínio de suas ferramentas narrativas.

A princípio, uma história simples: um cineasta que interrompeu sua carreira e se estabeleceu no interior vai até a capital Seul para reencontrar um antigo professor de cinema e grande amigo.

Em meio a longas conversas e bebedeiras, eles encontram mulheres que os seduzem, os aborrecem, os entretém – e perturbam, de alguma forma, a rotina de companheirismo masculino estabelecida pelos dois. Um tema recorrente na obra de Sangsoo.

Mas o cineasta sul-coreano introduz uma pequena novidade em seu tradicional repertório: as situações vividas pelo protagonista se repetem com pequenas variações, como se um pequeno acaso tivesse criado uma realidade alternativa.

É um procedimento que revigora o projeto cinematográfico do sul-coreano e que o leva ao melhor de sua forma. Agora o negócio é descobrir quem será o Sangsoo francês ou americano.

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