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01/11/2011 - 22:22

George Clooney faz filme político adulto

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As virtudes exibidas por George Clooney até aqui como diretor são antes as de um técnico de futebol do que as de um grande cineasta.

Em seu novo filme, “Tudo pelo Poder”, ele repete a estratégia de “Boa Noite e Boa Sorte” (2005), sua obra política anterior: pega um belo material de origem (no caso, a peça “Farragut North”, de Beau Willimon), escala os melhores jogadores em atividade (os veteranos Phillip Seymour Hoffman e Paul Giamatti, os jovens Ryan Gosling e Evan Rachel Wood, além do próprio Clooney) e os deixa livres para jogar. Mas não há, ainda, uma estratégia definida como cineasta, um estilo distinto.

É uma característica semelhante ao que ocorre com o ator Clooney: sem ser brilhante, ele sabe escolher os filmes, sabe trabalhar com suas limtações dramáticas, sabe a hora de sorrir para parecer charmoso.

Em vez de voltar ao passado para falar do presente, como em “Boa Noite e Boa Sorte”, agora Clooney vai direto ao ponto e mostra os bastidores das primárias para escolher o candidato democrata a presidente, em um filme sobre o momento atual da política americana e repleto de referências a nomes reais.

O protagonista é o idealista assessor de imprensa Stephen Meyers (Gosling), braço-direito de Paul Zara (Hoffman), pragmático coordenador de campanha do candidato Mike Morris (Clooney), governador aparentemente bem-intencionado.

Em meio à campanha, Meyers tromba com um dilema ético e outro moral. O primeiro surge com um convite para trabalhar para o rival de Morris, feito por Tom Duffy (Giamatti), cínico coordenador do outro candidato democrata.

Já a questão moral vem com a descoberta de que uma estagiária da campanha de Morris (Evan Rachel Wood), com quem Meyers inicia um caso, está grávida do governador.

De um lado, “Tudo pelo Poder” pode ser encara do como uma crítica – ou, talvez melhor, um aviso – ao Partido Democrata, com o qual o próprio Clooney tem ligações históricas. Clooney parece dar um alerta: se os democratas trocarem o idealismo pelo cinismo, eles em breve não se distinguirão dos republicanos.

Mas há uma leitura mais pessoal, menos política do filme. Nela, Meyers seria uma nova versão do mito de Fausto, o homem que vendeu sua alma a Mefistófeles em troca do sucesso. E aí Clooney estaria dizendo que a concessão e a corrupção não são problemas partidários, mas antes de tudo humanas.

O ator pode ainda não ter estilo como diretor, mas ele nos oferece novamente uma visão adulta sobre a política americana – o que é bem mais do que Hollywood costuma oferecer.

“Cisne”: dia 2, às 20h20, no Unibanco Pompeia; dia 3, às 22h20, no Unibanco Frei Caneca. Para a programação e cobertura completas, confira o especial do iG.

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1 comentário para “George Clooney faz filme político adulto”

  1. fábio... disse:

    ………………………………………………………………………………………………..
    ……………………………………………Calil?
    ……………………………………………………………………………………………….
    ……………………………….Você gostou dele em,
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    ……………………………” QUEIME depois de LER ” ?
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Os comentários do texto estão encerrados.

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