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11/11/2011 - 11:23

Geração de atores garante futuro do cinema brasileiro

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Algum tempo atrás, Selton Mello deu uma entrevista para o Canal Brasil dizendo algo como: “No futuro, as pessoas vão se dar conta de que o cinema brasileiro do começo dos anos 2000 foi marcado por uma geração de jovens atores”. Não lembro exatamente que nomes ele citou, mas certamente Wagner Moura, Lázaro Ramos, Matheus Nachtergaele, Caio Blat, Daniel de Oliveira e o próprio Selton deveriam estar entre eles.

A frase me voltou à cabeça ao assistir à impecável performance de Lázaro em “Amanhã Nunca Mais”, que chega aos cinemas nesta sexta-feira. Seria apenas a temporã e competente estreia em longa-metragem de Tadeu Jungle, que renovou a linguagem da TV brasileira nos anos 80, mas a interpretação de Lázaro leva o filme a outro patamar. Ele torna crível não apenas seu personagem – um anestesista incapaz de dizer não, vivendo um dia de pesadelo urbano em São Paulo –, mas tudo que ele toca.

Se olharmos para trás, veremos que vários outros filmes brasileiros recentes foram ou salvos da mediocridade ou tiveram um salto de qualidade graças ao trabalho desses atores. O que seria dos dois “Tropas de Elite”, de “VIPs”, de “O Homem do Futuro” sem Wagner Moura? De “Bróder” sem Caio Blat? De “Jean Charles” sem Selton? E assim por diante. Suas atuações são, sem exceção, superiores ao próprio filme. De certa forma, eles são co-autores dessas obras.

No cinema argentino, há um rosto oficial: Ricardo Darín. No brasileiro, há cinco ou seis. Eles deram a cara do cinema brasileiro pós-retomada, mais do qualquer diretor, talvez até mais do que qualquer temática (globochanchada, filme de favela) ou qualquer estética (televisiva, publicitária).

E ainda há uma série de atores e atrizes que pode se juntar a esse grupo quando tiver mais papeis de protagonista – de Irandhir Santos a Cauã Raymond, de Leandra Leal a Hermilla Guedes –, todos muito jovens. Além dos muitos diretores estreantes que chegaram à tela nestes últimos dois anos, essa geração de atores é uma promessa muito concreta de futuro para o cinema brasileiro.

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6 comentários para “Geração de atores garante futuro do cinema brasileiro”

  1. “Wagner Moura, Lázaro Ramos, Matheus Nachtergaele, Caio Blat, Daniel de Oliveira e o próprio Selton deveriam estar entre eles.”

    ele estava falando d’O Palhaço e citou todos esses nome e mais Cauã Reymond e Rodrigo Santoro.
    curiosamente, todos apenas pelo primeiro nome. algo como “Wagner, Lázaro, Matheus, Rodrigo, Caio, Cauã, etc…” e mesmo assim, todos identificáveis, porque de fato, todos ajudaram a construir a cinematografia da retomada, que como bem lembrou o Meirelles certa vez, está mais ligada ao período de florescimento do cinema brasileiro no final dos anos 90 e início dos anos 2000 do que um movimento estético em si, como o Cinema Novo proposto pelo Glauber.

  2. Fernanda disse:

    Certamente os atores que você citou (minha ressalva apenas ao Cauã Raymond, que ainda tem um loooooongo caminho a percorrer, embora reconheça que ele melhorou) merecem, de fato, destaque no cinema nacional. Entretanto, vejo que há apenas uma ligeira menção às atrizes. Um tempo atrás, houve uma discussão aqui no blog sobre a geração de jovens atores ser melhor que a das atrizes em nosso cinema. Se isso é verdade, não sei, mas que eles geralmente recebem papéis mais instigantes e mais bem elaborados que os delas, com certeza! Geralmente (e isso me deixa chateada) as jovens atrizes servem somente como “escada” para esses atores. Seus personagens não tem, por vezes, a mesma profundidade ou grau de relevância que os deles. Claro que há excelentes personagens femininas na história do cinema brasileiro, mas para cada Sueli, Camila, Lavínia ou Macabéa, existem centenas de fulanas e sicranas, cuja única função no filme é dar as deixas para que os atores brilhem. Só para constar: Leandra Leal, Maria Flor, Hermila Guedes, Simone Spoladore, Camila Pitanga, Alessandra Negrini, entre outras, poderiam ser tão ou mais festejadas que nossa geração de jovens atores, se recebessem personagens mais estimulantes.

  3. André LDC disse:

    Ricardo, a boa qualidade dos atores citados não necessariamente garantirá algum futuro ao cinema brasileiro. É frustrante perceber que há muitos filmes nacionais cujos méritos limitam-se às interpretações. Se o roteiro é maçante e a encenação é óbvia, penso que 50% da qualidade de um filme está irremediavelmente perdida. Não acha curioso que vários dos filmes que esses intérpretes por você citados contam com a Sra. Fátima Toledo na preparação do elenco? E que isso acaba por padronizar esses mesmos filmes de uma forma mais irritante do que, digamos, a estética publicitária? Tenho a impressão de que certos cineastas brasileiros, alguns deles orgulhosos de não possuirem um estilo, trabalham menos com seus atores do que deveriam, pois contam com uma profissional hiperbólica para fazer seus alunos “viverem” os personagens em vez de interpretá-los. Certa vez li, numa reportagem da revista Piauí, que o diretor Bruno Barreto fugiu do coro dos que se deixam conduzir por essa senhora e que preferem trabalhar com atores já “prontos”. Embora eu não seja um grande admirador dos filmes do Barreto (exceção para o injustiçado “Amor Bandido” e para “Atos de Amor”), pelo menos nessa hora ele demonstrou uma coragem que poucos possuem no meio cinematográfico brasileiro. Enquanto houver cineastas que praticamente se deixam levar pela “preparação” da Sra. Fátima Toledo, continuaremos com uma cinematografia onde os bons filmes apenas confirmam a indigência da maioria do que se produz no Brasil.

  4. Dudu disse:

    não se esquece do João Miguel Calil, ele é o melhor.

  5. […] Geração de atores garante futuro do cinema brasileiro Algum tempo atrás, Selton Mello deu uma entrevista para o Canal Brasil dizendo algo como: “No futuro, as pessoas vão se dar conta de que o cinema brasileiro do começo dos anos 2000 foi marcado por uma geração de jovens atores”. Não lembro exatamente que nomes ele citou, mas certamente Wagner Moura, Lázaro Ramos, Matheus Nachtergaele, Caio Blat, Daniel de Oliveira e o próprio Selton deveriam estar entre eles. […]

  6. Sirena disse:

    Vamos incluir o Luis Miranda nessa lista!

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