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29/01/2012 - 19:13

“Millenium” de David Fincher agrada, mas não surpreende

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Ninguém pedirá devolução do ingresso depois de ver “Millenium – O Homem que Não Amava as Mulheres”, adaptação hollywoodiana do primeiro volume da trilogia best seller do sueco Stieg Larsson. David Fincher (“Clube da Luta”, “A Rede Social”) entrega aquilo que qualquer espectador esperava: uma adaptação fiel ao livro original e superior à versão sueca de 2009, um suspense do bem dirigido, com cenas de violência gráfica de grande impacto e atuações muito dignas dos dois protagonistas (Daniel Craig e Rooney Mara). Enfim, Fincher era o cara certo no lugar certo.

Por outro lado, o cineasta não entrega nada além do esperado. Não há surpresas em “Millenium”. E, claro, eu não me refiro a surpresas na trama: quem leu o livro ou viu o filme sueco naturalmente já sabem exatamente o que vai acontecer. Eu falo de surpresas estéticas. Egresso do videoclipe, dono de um estilo visual sofisticado, Fincher parece aqui satisfeito em ilustrar – da maneira mais competente possível – as páginas do livro.

Havia uma armadilha na adaptação de “Millenium”: a trama do livro é complexa e detalhada para um filme, mesmo de quase três horas. Para dar conta dos elementos centrais da ação, Fincher teve que sacrificar tempos mortos importantes para criar a atmosfera – algo em que ele já é quase mestre. A adaptação de Fincher é boa, longe de mim dizer o contrário. Mas talvez fosse melhor como uma minissérie para a TV de seis horas. Com metade desse tempo, “Millenium” resultou essencialmente em um filme de roteiro, como “A Rede Social” – o que é um desperdício quando se lembra que Fincher está atrás das câmeras.

No começo da sua carreira, em filmes como “Seven” ou “Clube da Luta”, Fincher gostava de ostentar sua exuberância estética, chegando a um resultado barroco. Nestes dois últimos filmes, ele prova que também sabe se conter. O único filme em que ele chegou a um equilíbrio entre ostentação e contenção foi “Zoodíaco” – não por acaso, sua obra-prima até aqui.

Os fantásticos créditos de abertura de “Millenium” (veja o vídeo abaixo) mostram do que Fincher é capaz. Claro, não dá para fazer um filme de três horas com ritmo e espírito de videoclipe (a não ser que você seja o Baz Luhrmann). Mas esperar uma obra um pouco menos impessoal não seria pedir demais. Quem sabe no segundo filme?

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2 comentários para ““Millenium” de David Fincher agrada, mas não surpreende”

  1. Douglas disse:

    Grande Calil, ainda não vi “Zoodíaco”, e não dá pra negar o talento do cara, mas não te incomoda um pouco o ritmo “videoclíptico” pop de suas obras? A meu ver, só “Seven” escapa. Seus filmes são como jogadores de futebol que prometem nos clubes pequenos e desapontam nos times da elite (e na seleção), quase chegam lá!

  2. Luciana disse:

    A obra-prima do David Fincher é O curioso caso de Benjamin Button.

Os comentários do texto estão encerrados.

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