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Arquivo de fevereiro, 2012

27/02/2012 - 09:30

O Oscar não tem sentido

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Todo ano é sempre igual. É preciso conferir um sentido oculto e profundo às escolhas aleatórias de 5 mil velhinhos brancos do cinema americano (mais conhecidos como a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood).

Escolhas marcadas por preferências pessoais e lobbies industriais, por “orelhadas” de outras premiações e pela decantação de um certo “bom gosto” médio (que em geral quer se diferenciar do “mau gosto” das bilheterias).

Em 2002, “Moulin Rouge” concorreu a melhor filme no Oscar; no ano seguinte, “Chicago” venceu a categoria principal do prêmio. Foi o suficiente para que fosse decretada uma volta do musical – e, ao longo da década seguinte, (não) esperamos por ela sentados.

Em 2012, a previsível divisão de prêmios entre “O Artista” e “A Invenção de Hugo Cabret” parece comprovar a tese pronta do ano: a de um Oscar nostálgico, em que Hollywood olha no espelho e celebra o cinema do passado.

Se a soma dessas escolhas individuais quisesse dizer algo, a próxima tendência para o inverno cinematográfico seria uma leva de filmes mudos ou sobre pioneiros esquecidos da sétima arte.

Sacha Baron Cohen fazendo o remake silencioso do “O Grande Ditador”, Steven Spielberg resgatando a história perdida de Dziga Vertov, Meryl Streep macaqueando perfeitamente os trejeitos de Mary Pickford.

Talvez seja mais honesto reconhecer que a aparição e o reconhecimento de “O Artista” e “Hugo” em um mesmo ano tenha sido apenas uma coincidência (no caso feliz, já que se trata de dois filmes dignos, embora menos memoráveis que o alardeado).

E admitir que o sentido do Oscar é não ter sentido – algo que a bizarra cerimônia de premiação teima em confirmar, todo ano.

Para a cobertura completa da premiação ocorre neste domingo, confira o especial do iG.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
23/02/2012 - 17:12

Oscar 2012: quem deve e quem deveria ganhar

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Depois de ver quase todos os indicados ao Oscar nas principais categorias, o ano não parece tão desastroso assim. Não há, por exemplo, nenhuma obra-prima indicada a melhor filme, mas há alguns filmes bastante dignos na categoria principal (“Meia Noite em Paris”, “O Artista”, “A Invenção de Hugo Cabret”), que não fariam feio em outros anos com candidatos mais fortes.

Por outro lado, há, como sempre, algumas injustiças com não-indicados (“A Separação”, por exemplo, não concorre a melhor filme) e anomalias entre os indicados (como as presenças de “Cavalo de Guerra” e “Tão Forte e Tão Perto” na categoria principal).

Abaixo, eu faço a minha lista de quem deve ganhar, quem corre por fora, quem deveria ganhar e quem deveria ter sido indicado nas diversas categorias. Para a cobertura completa do Oscar 2012, cuja cerimônia de premiação ocorre neste domingo, confira o especial do iG.

Melhor filme

Quem deve ganhar: “O Artista”
Corre por fora: “A Invenção de Hugo Cabret”
Quem deveria ganhar entre os indicados: “Meia Noite em Paris”
Quem merecia ser indicado e não foi: “A Separação”

Melhor direção

Quem deve ganhar, Martin Scorsese, por “A Invenção de Hugo Cabret”
Corre por fora: Michel Hazanavicius, por “O Artista”
Quem deveria ganhar entre os indicados: Woody Allen, por “Meia Noite em Paris”
Quem merecia ser indicado e não foi: J.J. Abrams, por “Super 8”

Melhor ator

Quem deve ganhar: Jean Dujardin, por “O Artista”
Corre por fora: George Clooney, por “Os Descendentes”
Quem deveria ganhar entre os indicados: Jean Dujardin, por “O Artista”
Quem merecia ser indicado e não foi: Michael Fassbender, por “Shame”

Melhor atriz

Quem deve ganhar: Viola Davis, por “Histórias Cruzadas”
Corre por fora: Meryl Streep, por “A Dama de Ferro”
Quem deveria ganhar entre as indicadas: Michelle Williams, por “Sete Dias com Marilyn”
Quem merecia ser indicado e não foi: Tilda Swinton, por “Precisamos Falar sobre Kevin”

Melhor ator coadjuvante

Quem deve ganhar: Christopher Plummer, por “Toda Forma de Amor”
Corre por fora: Max von Sydow, por “Tão Forte e Tão Perto”
Quem deveria ganhar entre os indicados: Jonah Hill, por “O Homem que Mudou o Jogo”
Quem merecia ser indicado e não foi: Albert Brooks, por “Drive”

Melhor atriz coadjuvante

Quem deve ganhar: Octavia Spencer, por “Histórias Cruzadas”
Corre por fora: Bérénice Bejo, por “O Artista”
Quem deveria ganhar entre as indicadas: Melissa McCarthy, por “Missão Madrinha de Casamento”
Quem merecia ser indicada e não foi: Cécile de France, por “O Garoto da Bicicleta”

Melhor roteiro original

Quem deve ganhar: Woody Allen, por “Meia-Noite em Paris”
Corre por Fora: Ashgar Farhadi, por “A Separação”
Quem deveria ganhar entre os indicados: Annie Mumolo e Kristen Wiig, por “Missão Madrinha de Casamento”
Quem merecia ser indicado e não foi: Abbas Kiarostami, por “Cópia Fiel”

Melhor roteiro adaptado

Quem deve ganhar: Alexander Payne, Nat Faxon e Jim Rash, por “Os Descendentes”
Corre por fora: John Logan, por “A Invenção de Hugo Cabret”
Quem deveria ganhar entre os indicados: Bridget O’Connor e Peter Straughan, por “O Espião que Sabia Demais”
Quem merecia ser indicado e não foi: Pedro e Augustin Almodovar, por “A Pele que Habito”

Melhor filme estrangeiro

Quem deve ganhar: “A Separação”
Corre por fora: ninguém; o vencedor é barbada
Quem deveria ganhar (entre os indicados): “A Separação”
Quem merecia ser indicado e não foi: “Poesia” (Coreia do Sul), de Lee Chang-dong

Melhor animação

Quem deve ganhar: “Rango”, de Gore Verbinski
Corre por fora: nenhum; outra barbada
Quem deveria ganhar (entre os indicados): “Um Gato em Paris”, de Alain Gagnol e Jean-Loup Felicioli
Quem merecia ser indicado e não foi: “Rio”, de Carlos Saldanha

Melhor documentário

Quem deve ganhar: “Pina”
Corre por fora: “Undefeated”
Quem deveria ganhar (entre os indicados): “Pina”
Quem merecia ser indicado e não foi: “Projeto Nim”

OUTRAS CATEGORIAS

Melhor direção de arte
Quem deve ganhar: “A Invenção de Hugo Cabret”

Melhor fotografia
Quem deve ganhar:“A Árvore da Vida”

Melhor figurino
Quem deve ganhar: “A Invenção de Hugo Cabret”

Melhor montagem
Quem deve ganhar: “O Artista”

Melhor maquiagem
Quem deve ganhar: “Dama de Ferro”

Trilha Sonora
Quem deve ganhar: “O Artista”, de Ludovic Bource

Melhor canção
Quem deve ganhar: “Man or Muppet”, de “Os Muppets”

Melhores edição de som
Quem deve ganhar: “A Invenção de Hugo Cabret”

Melhor mixagem de som
Quem deve ganhar: “A Invenção de Hugo Cabret”

Melhor curta documental
Quem deve ganhar: “The Barber of Birmingham”

Melhor curta ficcional
Quem deve ganhar: “The Shore”

Melhor curta de animação
Quem deve ganhar: “The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore”

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15/02/2012 - 07:59

Scorsese concilia contradições em “Hugo Cabret”

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Com estreia no Brasil marcada para esta sexta-feira, “A Invenção de Hugo Cabret” é, de forma simultânea e paradoxal, um ponto fora da curva na carreira de Martin Scorsese e talvez seu filme mais pessoal.

Ponto fora da curva: uma fantasia juvenil, em 3-D, baseado num best seller, feito por um cineasta realista, conhecido por suas cenas de violência e por protagonistas que vão dos mafiosos psicóticos a boxeadores paranoicos a veteranos de guerra surtados. Talvez apenas “Kundun” (1997), sobre o dalai lama, seja um corpo estranho tão evidente dentro de sua obra.

Seu filme mais pessoal: não apenas uma homenagem ao cinema do passado (em particular, à obra do pioneiro George Méliès), mas, como disse um crítico americano, a melhor, mais longa e mais cara propaganda da história sobre a necessidade de preservação dos filmes antigos. E Scorsese, como se sabe, um dos mais cinéfilos cineastas do mundo e também um dos principais advogados da causa da restauração. E, como o protagonista de “A Invenção de Hugo Cabret”, ele foi ainda um pré-adolescente salvo da dureza da realidade pela fantasia do cinema.

A grande maestria de Scorsese sempre foi conciliar contradições em sua obra. Entre o filme de encomenda e o filme pessoal. Entre o industrial e o artesanal. Entre o violento e o lírico. Entre o passado e o presente (no caso de “Hugo Cabret”, entre Méliès e 3-D). Nesse sentido, seu novo filme é também um típico Scorsese. E uma confirmação de que ele é, justamente por conta de suas contradições, o moderno cineasta americano por excelência.

***

Os dois candidatos com mais indicações ao Oscar deste ano – “A Invenção de Hugo Cabret”, com 11, e “O Artista”, com 10 – são homenagens ao cinema do passado. E algumas pessoas enxergam nisso uma tendência, o início de uma onda de filmes nostálgicos, que se voltam ao passado para apontar o futuro. Eu me lembro quando “Os Imperdoáveis” ganhou o Oscar e disseram que era a volta do western. Ou quando “Chicago” foi o vencedor e decretaram o retorno do musical. Até hoje estou esperando, sentado, o revival do bangue-bangue e da cantoria e nada…

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08/02/2012 - 20:28

“O Artista” é um filme sobre o cinema do presente

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À primeira vista, “O Artista” – que estreia nesta sexta-feira no Brasil – parece apenas um simpático e competente exercício de nostalgia cinematográfica. Um filme mudo em preto e branco feito para homenagear a época do cinema mudo em preto e branco. Simples assim.

Mas, na verdade, não é tão simples. Ao flagrar um momento fundamental de transição do cinema do passado, “O Artista” tem muito a dizer sobre o cinema de hoje.

Indicado a 10 categorias do Oscar, o filme dirigido pelo francês Michel Hazanavicius foca a passagem do cinema mudo para o sonoro. Na Hollywood de 1927, a carreira do astro do filme silencioso George Valentin (Jean Dujardin) entra em decadência com a chegada do cinema falado. Na direção oposta, Peppy Miller (Bérénice Bejo), dançarina apaixonada por Valentin, torna-se uma estrela da noite para o dia nesse novo cenário.

Essa é a trama romântica do filme – e talvez seu aspecto menos interessante. Por trás dela, há toda a questão da transição artística e tecnológica do cinema. De uma arte que havia atingido um elevado grau de sofisticação visual, de universalidade e de autossuficiência (no sentido de formar uma linguagem própria). Para outra arte que, por conta de um avanço técnico inevitável, sofreu um retrocesso artístico, se tornou mais dependente da palavra e mais próxima de outras artes (em particular, do teatro). E que precisou de uma ou duas décadas para chegar ao mesmo ponto de excelência que havia atingido. Ou seja, foi o momento do triunfo da “tecnologia” sobre a “arte” (e aqui peço perdão por repetir tantas vezes essa palavrinha tão banalizada).

Nesse aspecto, “O Artista” é um filme que fala tanto sobre o cinema dos anos 20 do século 20 quanto sobre o cinema dos anos 10 do século 21. Trata-se de um outro momento em que a tecnologia – seja o 3-D, a captura de movimento ou os efeitos digitais etc etc. – parece levar o cinema não para a frente, mas para trás como linguagem, tirando algumas honrosas exceções. E “O Artista” surge como um filme que não faz exatamente a defesa do cinema do passado, mas de um cinema do essencial (e o essencial é, em geral, a emoção). E, por isso, é um filme muito bem-vindo.

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03/02/2012 - 17:27

A política de cotas do Oscar

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Depois de finalmente ver uma quantidade razoável de filmes indicados ao Oscar deste ano e ser sistematicamente assaltado pela sensação de déjà vu, eu cheguei à conclusão de que o prêmio tem uma política de cotas. Ou seja, os membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood indicam, ano após ano, filmes diversos entre si, mas com perfis muito semelhantes a outros concorrentes do passado. Não é um movimento combinado, claro, até porque eles são mais de 5 mil. É simplesmente o resultado da decantação de um gosto médio dos profissionais de cinema hollywoodiano (o grosso dos membros da Academia) ao longo de muitos anos. Olhando para a lista dos nove indicados ao prêmio de melhor filme neste ano (a cerimônia de entrega será no dia 26 de fevereiro), as cotas deste ano são as seguintes:

1 – A cota do drama cômico sobre um homem em crise de meia idade

Um sujeito maduro tem sua rotina abalada por um evento inesperado – um acidente com a mulher, uma paixão pela vizinha etc. – e começa a rever sua vida. O filme costuma começar como uma comédia levemente sarcástica e terminar como um drama delicado.

Indicado deste ano: “Os Descendentes”

Indicados do passado: “Beleza Americana”, “Sideways”, “Amor sem Escalas”

2 – A cota do drama racial meigo

O filme lida com histórias pesadas de preconceito racial, mas de maneira amena, pitoresca, estereotipada, para não agredir a sensibilidade do espectador. Em geral, rende indicações nas categorias de atuação para atores negros – uma maneira de a Academia rebater a histórica acusação de falta de diversidade racial

Indicado deste ano: “Histórias Cruzadas”

Indicados do passado: “Conduzindo Miss Daisy”, e “Tomates Verdes Fritas”

3 – A cota do filme de Arte com “A” maiúsculo

O filme fala sobre algum dos Grandes Temas da Humanidade, o diretor é considerado um Gênio, a produção é Grandiosa. É melhor indicar para não passar vergonha, mesmo achando um saco. Vai que depois acusam a Academia de cometer uma injustiça histórica, tais como as feitas contra Orson Welles e Alfred Hitchcock.

Indicado deste ano: “A Árvore da Vida”

Indicados do passado: “O Último Imperador”, “O Pianista”, “Cisne Negro”

4 – A cota do filme estrangeiro inofensivo

Em geral, é uma categoria ocupada por dramas de época ingleses – afinal, o sotaque britânico soa tão artístico. Mas em anos de boa vontade multiculturalista a Academia até topa indicar um italiano ou um francês. De preferência, filmes que não complicam muito a vida do espectador, como aqueles que são exibidos em Cannes. E o deste ano ainda tem a vantagem de ser mudo, então nem precisa ler as legendas.

Indicado deste ano: “O Artista”

Indicados do passado: “O Carteiro e o Poeta”, “A Vida é Bela”, “Desejo e Reparação”, “O Discurso do Rei”

5 – A cota do drama esportivo de superação

Um atleta, um time, um técnico ou um agente chega ao fundo do poço. E então, com a ajuda de um bom amigo ou muita força de vontade, ele dá a volta por cima. Uma obra de cinema que vale por um livro de auto-ajuda.

Indicado deste ano: “O Homem que Mudou o Jogo”

Indicados do passado: “Jerry Maguire”, “O Vencedor”

6 – A cota dos grandes autores americanos vivos

Martin Scorsese e Clint Eastwood podem errar ou acertar, fazer filmes maiores ou menores, mas estão lá, quase sempre, na cadeira cativa (aliás, cadê o “J. Edgar” na lista deste ano?). E agora sem ironia: os caras são mestres, eles merecem. O problema aqui é outro: no Oscar, eles acabam nivelados a diretores muito inferiores.

Indicado deste ano: “A Invenção de Hugo Cabret”

Indicados do passado: “Os Infiltrados”, “Menina de Ouro”, “O Aviador”, “Sobre Meninos e Lobos”, “Gangues de Nova York”

7 – A cota do filme feito para ganhar o Oscar

No trailer, você já saca: aquela narração pomposa, aquela trilha sonora grandiloquente, aqueles letreiros avisando “academy winner” ou “academy nominee”. Depois o filme só confirma: tudo foi pensado, produzido e propagandeado para levar a estatueta para casa.

Indicado deste ano: “Cavalo de Guerra”

Indicados do passado: “O Paciente Inglês”, “A Lista de Schindler”, “Babel”

8 – A cota (deveras minoritária) da comédia “pura”

A comédia não-dramática é provavelmente o gênero mais desprezado pela Academia (depois, talvez, do filme de kung fu). É preciso que o filme seja uma espécie de unanimidade e tenha um diretor de prestígio para conseguir uma indicação. Ou seja, é a mais bissexta das cotas.

Indicado deste ano: “Meia Noite em Paris”

Indicados do passado: “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”, “M.A.S.H.”, “Tootsie”

9 – A cota do “que filme é esse mesmo?”

Você não ouvir falar do filme antes do anúncio das indicações. Você provavelmente não ouvirá falar depois. E, daqui a alguns anos, você não terá a mínima ideia do que se trata. É uma categoria que cresceu enormemente depois que dez produções passaram a ser indicadas a melhor filme. É o filme de cota para cumprir cota (se bem que neste ano nem isso conseguiram, já que são apenas nove indicados).

Indicado deste ano: “Tão Forte e Tão Perto”

Indicados do passado: “Entre Quatro Paredes”, “Alma de Herói”, “Conduta de Risco”

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