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08/02/2012 - 20:28

“O Artista” é um filme sobre o cinema do presente

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À primeira vista, “O Artista” – que estreia nesta sexta-feira no Brasil – parece apenas um simpático e competente exercício de nostalgia cinematográfica. Um filme mudo em preto e branco feito para homenagear a época do cinema mudo em preto e branco. Simples assim.

Mas, na verdade, não é tão simples. Ao flagrar um momento fundamental de transição do cinema do passado, “O Artista” tem muito a dizer sobre o cinema de hoje.

Indicado a 10 categorias do Oscar, o filme dirigido pelo francês Michel Hazanavicius foca a passagem do cinema mudo para o sonoro. Na Hollywood de 1927, a carreira do astro do filme silencioso George Valentin (Jean Dujardin) entra em decadência com a chegada do cinema falado. Na direção oposta, Peppy Miller (Bérénice Bejo), dançarina apaixonada por Valentin, torna-se uma estrela da noite para o dia nesse novo cenário.

Essa é a trama romântica do filme – e talvez seu aspecto menos interessante. Por trás dela, há toda a questão da transição artística e tecnológica do cinema. De uma arte que havia atingido um elevado grau de sofisticação visual, de universalidade e de autossuficiência (no sentido de formar uma linguagem própria). Para outra arte que, por conta de um avanço técnico inevitável, sofreu um retrocesso artístico, se tornou mais dependente da palavra e mais próxima de outras artes (em particular, do teatro). E que precisou de uma ou duas décadas para chegar ao mesmo ponto de excelência que havia atingido. Ou seja, foi o momento do triunfo da “tecnologia” sobre a “arte” (e aqui peço perdão por repetir tantas vezes essa palavrinha tão banalizada).

Nesse aspecto, “O Artista” é um filme que fala tanto sobre o cinema dos anos 20 do século 20 quanto sobre o cinema dos anos 10 do século 21. Trata-se de um outro momento em que a tecnologia – seja o 3-D, a captura de movimento ou os efeitos digitais etc etc. – parece levar o cinema não para a frente, mas para trás como linguagem, tirando algumas honrosas exceções. E “O Artista” surge como um filme que não faz exatamente a defesa do cinema do passado, mas de um cinema do essencial (e o essencial é, em geral, a emoção). E, por isso, é um filme muito bem-vindo.

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3 comentários para ““O Artista” é um filme sobre o cinema do presente”

  1. Kari disse:

    Não podia ter explicado melhor, Calil!

    E minhas expectativas são as de que Hugo forme com O artista, um fechamento sobre o tema tecnologia x arte…

  2. fabio... disse:

    ……………………………………………………………………………………………………..
    ………………………………….É verdade Calil…!
    ……………………………………………………………………………………………………..
    …………………………………Acabei de assistir.
    ……………………………………………………………………………………………………..

  3. Jean Sousa disse:

    O Artista é um bom filme, e só. Não entendo essa paixonite da crítica ou da Academia. Aliás, daqui a um ano, será esquecido, como foram Quem Quer Ser Um Milionário? e O Discurso do Rei, só pra ficar nos oscarizados mais recentes.

Os comentários do texto estão encerrados.

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