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15/02/2012 - 07:59

Scorsese concilia contradições em “Hugo Cabret”

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Com estreia no Brasil marcada para esta sexta-feira, “A Invenção de Hugo Cabret” é, de forma simultânea e paradoxal, um ponto fora da curva na carreira de Martin Scorsese e talvez seu filme mais pessoal.

Ponto fora da curva: uma fantasia juvenil, em 3-D, baseado num best seller, feito por um cineasta realista, conhecido por suas cenas de violência e por protagonistas que vão dos mafiosos psicóticos a boxeadores paranoicos a veteranos de guerra surtados. Talvez apenas “Kundun” (1997), sobre o dalai lama, seja um corpo estranho tão evidente dentro de sua obra.

Seu filme mais pessoal: não apenas uma homenagem ao cinema do passado (em particular, à obra do pioneiro George Méliès), mas, como disse um crítico americano, a melhor, mais longa e mais cara propaganda da história sobre a necessidade de preservação dos filmes antigos. E Scorsese, como se sabe, um dos mais cinéfilos cineastas do mundo e também um dos principais advogados da causa da restauração. E, como o protagonista de “A Invenção de Hugo Cabret”, ele foi ainda um pré-adolescente salvo da dureza da realidade pela fantasia do cinema.

A grande maestria de Scorsese sempre foi conciliar contradições em sua obra. Entre o filme de encomenda e o filme pessoal. Entre o industrial e o artesanal. Entre o violento e o lírico. Entre o passado e o presente (no caso de “Hugo Cabret”, entre Méliès e 3-D). Nesse sentido, seu novo filme é também um típico Scorsese. E uma confirmação de que ele é, justamente por conta de suas contradições, o moderno cineasta americano por excelência.

***

Os dois candidatos com mais indicações ao Oscar deste ano – “A Invenção de Hugo Cabret”, com 11, e “O Artista”, com 10 – são homenagens ao cinema do passado. E algumas pessoas enxergam nisso uma tendência, o início de uma onda de filmes nostálgicos, que se voltam ao passado para apontar o futuro. Eu me lembro quando “Os Imperdoáveis” ganhou o Oscar e disseram que era a volta do western. Ou quando “Chicago” foi o vencedor e decretaram o retorno do musical. Até hoje estou esperando, sentado, o revival do bangue-bangue e da cantoria e nada…

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3 comentários para “Scorsese concilia contradições em “Hugo Cabret””

  1. fabio... disse:

    ………………………………………………………………………………………………..
    ……………………………………………..É,
    …………..nos anos 80, ficou prá gente aquela turma
    ……..que substituiria os grandes diretores dos anos 70.
    ……………………………Em ambas as décadas,
    …………………………..eram caras que faziam,
    ………………………………………………………………………………………………
    ……………………………………….FILMÃO.
    ……………………………………………………………………………………………….
    ………………………………….Nos anos 80,
    ……………………………………………………………………………………………….
    ……………………………….Briam de Palma,
    …………………………………..Alan Parker
    …………………………….e o Martim Scorcese.
    ……………………………………………………………………………………………….
    ………………Porém, ……essa ” aclamação ” acaba se
    ……………….tornando a ” córda do enforcado “, …né.
    ……………………………………………………………………………………………….
    ……………Quando fui ver o ” AVIADOR ” do Scorcese,
    ………………………..sai do cinema com cara de,
    ……………………………………………………………………………………………….
    ………………………………….. ” NAUFRAGO “.
    ……………………………………………………………………………………………….
    ……………………….O,…. filminho,…….PÉ no saco.
    ……………………………………………………………………………………………….
    ………..Não aguentava mais ver o Leonardo di Cáprio
    …………………………fazendo cara de machinho.
    ……………………………………………………………………………………………….
    …………………..Parece que o Diretor consagrado
    ………….fica refém da sua fãma e começa a trabalhar
    ………………………………como celebridade.
    ……………………………………………………………………………………………….
    ………………………………….Aí,….já,… éra.
    ……………………………………………………………………………………………….
    ………………E quando aparece um filme novo dele
    ……………..você pensa nos 20 paus que vai gastar.
    ……………………………………………………………………………………………….
    ………………………………………………………………………………………………

  2. Pedro Ivo disse:

    Gostei muito de “Hugo Cabret’. Ainda não vi o favorito “O Artista”, mas se eu tivesse que torcer para um filme no Oscar, seria para este belo Scorsese.

Os comentários do texto estão encerrados.

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