Não vote em Charles Foster Kane
Com um atraso de alguns dias causado pela prosaica derrubada de um copo de água sobre meu laptop (que danificou o teclado em meio a uma viagem de trabalho), coloco no ar a segunda parte da série especial sobre dez grandes polÃticos do cinema e da TV, feita em conjunto com o hotsite Eleiçoes 2008 do IG. Depois de começar com o admirável Jefferson Smith (James Stewart) de “A Mulher Faz o Homem” (1939), a série continua agora com um mau exemplo, talvez o maior deles, para nossos polÃticos nesta campanha: ninguém menos que o Charles Foster Kane de ”Cidadão Kane” (1941), filme dirigido e protagonizado por Orson Welles e considerado por muitos crÃticos o melhor de todos os tempos. Abaixo, o falso cinejornal que abre o filme apresentando a morte de Kane:
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Nascido em uma familia humilde, mas transformado em milionário graças a uma herança, Kane torna-se dono de um império de comunicação ainda muito jovem. A princÃpio, ele parece interessado em defender os interesses dos oprimidos contra os poderosos, mas logo adere ao jornalismo marrom.
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Com o crescimento de sua fortuna e popularidade, ele decide concorrer a governador de Nova York, contra o notoriamente corrupto J.W. Gettys. A eleição parecia uma barbada - até Gettys chantagear o casado Kane com a descoberta de um caso com uma cantora. Como Kane recusa-se a desistir da campanha, Gettys leva o caso a publico e é eleito governador.
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Embora Kane seja um personagem moralmente complexo (e não se poderia esperar menos de um genio como Welles), ele é certamente um péssimo exemplo como polÃtico, um megalomanÃaco que esquece de seu compromisso inicial com os menos favorecidos e que usa seu poder para se auto-promover e destruir rivais. Lembra algum candidato nesta eleição?

Comentário de Print Screen Sys Rq — 21/07/2008 - 11:23h
Este filme, muito festejado pela crÃtica, me causa uma certa ojeriza. Freud explica.
Portanto nunca assisti,
não pretendo assistir,
mas se algum vier a assistir declararei todo meu ódio pela “festejança” a um filme cujo tema é tão…tão…tão…urbano, americano, polÃtico, noir, perfÃdico…
…todo este bojo esquelético arquetÃpico estrutural me causa náuseas.
NOjento Tham!
Comentário de Nilton — 23/07/2008 - 10:35h
Assisti ao Cidadão Kane no começo deste ano. É interessante notar que o personagem Kane foi baseado no magnata William Hearst, com o qual Orson Welles travou uma dura batalha e da qual não saiu ileso. Aliás, uma versão do DVD traz um documentário sobre a luta Welles x Hearst.
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[...] foram o incorruptÃvel Jefferson Smith de “A Mulher Faz o Homem” (1939) e o corruptor Charles Foster Kane de “Cidadão Kane” [...]
Pingback de ricardocalil.com.br » Blog Arquivo » Vote em Josiah Bartlet — 11/09/2008 - 23:29h
[...] Smith de “A Mulher Faz o Homem†(1939), o barbeiro judeu de “O Grande Ditador†(1940), Charles Foster Kane de “Cidadão Kaneâ€Â (1941), John Iselin de “Sob o DomÃnio do Mal†(1962), Merkin [...]
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[...] barbeiro judeu de “O Grande Ditador”. Na segunda, o milionário candidato a governador Charles Foster Kane de “Cidadão Kane†(1941). Daqui em diante, porém, os péssimos polÃticos vão predominar por [...]