Um Desenho Inconveniente
Depois de “Ratatouille†- filme com nome difÃcil de pronunciar sobre um rato cozinheiro apaixonado pela França -, era de se esperar que a Pixar não quisesse correr mais riscos. Mas “Wall-E†- nova animação da produtora, que estréia nesta sexta-feira – é seu mais corajoso trabalho. Trata-se de um longa praticamente mudo sobre um robô solitário, sem bichinhos que falam ou cantam, sem estrelas no seu elenco de vozes. Além disso, ”Wall-E” traz uma das crÃticas mais contundentes ao mundo corporativo, à sociedade de consumo e ao descaso com o meio ambiente que Hollywood já produziu – o que fez o “New York Times†chamá-lo carinhosamente de “Um Desenho Inconvenienteâ€, em referência ao documentário sobre Al Gore.
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Por um lado, existe um claro paradoxo nessa atitude. Afinal, a Pixar foi comprada há apenas dois anos pela gigante Disney e faturo alto com o merchandising de produtos relacionados ao filme. Por outro, me parece bastante saudável que, mesmo no coração do sistema, a produtora se esforce para manter a ousadia da forma e do conteúdo que sempre marcou seus filmes.
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No ano 2700, séculos depois de toda a humanidade ter abandonado a Terra, o antiquado robô Wall-E passa os dias limpando os dejetos deixados para trás pela corporação Buy n’ Large, que dominava o planeta. Até que surge do espaço a avançada robozinha Eva, em busca de sinais de vida na Terra. Wall-E apaixona-se à primeira vista e segue Eva até uma gigantesca nave espacial que abriga os sobreviventes da humanidade, um grupo de pessoas obesas que, ainda controlados pela Buy n’ Large, vive comendo junk food, vendo televisão e passeando em poltronas voadoras – visão ao mesmo tempo assustadora e engraçada sobre o futuro da raça humana.
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Dirigido por Andrew Stanton (de “Procurando Nemoâ€), “Wall-E†consegue alinhavar uma série de referências – Charles Chaplin a Woody Allen, “2001†a “Star Wars†– para criar uma personalidade própria. Esse é apenas um dos muitos equilÃbrios entre extremos alcançado pelo filme: passadista e futurista, artesanal e digital, romântico e polÃtico, fofo e ácido. Em outras mãos, seria uma mistura indigesta. Nas da Pixar, o resultado é brilhante – o melhor da produtora desde “Nemoâ€.

Comentário de Rui — 27/06/2008 - 16:37h
Estou louco para assiste WALL-E, sempre me encanto com as ousadias da Pixar! Ricardo, não entendi seu comentário sobre Ratatouille “…era de se esperar que a Pixar não quisesse correr mais riscos”. Achei esse desenho fantástico…
Comentário de Rui — 27/06/2008 - 16:37h
Correção: no lugar de assiste, coloque assistir